- Autor: Simone Pedrolli
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Conferência Antifascista destaca educação como eixo da soberania
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) participou, dia 29 de março, da mesa “Educação, Ciência e Tecnologia para a Soberania dos Povos”, realizada no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre (RS). O debate integrou a programação do último dia da 1ª Conferência Internacional Antifascista, realizada entre os dias 26 e 29 de março.
Representando a CNTE como comentadora da mesa, a presidenta Fátima Silva destacou o papel estratégico da educação pública na defesa da democracia, da soberania popular e no enfrentamento ao avanço da extrema direita em diferentes partes do mundo.
Segundo a dirigente, o crescimento de ideologias autoritárias e antidemocráticas não ocorre de forma isolada ou repentina, exigindo vigilância, organização e mobilização permanente por parte da sociedade e das entidades comprometidas com os direitos sociais.
“O avanço da extrema direita e do fascismo não acontece de forma repentina. Ele dá sinais ao longo do tempo, e é preciso que estejamos atentos e organizados para enfrentá-lo”, afirmou.
Fátima também reforçou que a defesa da educação pública vai além da pauta educacional, estando diretamente ligada à construção de um projeto de sociedade mais justo, democrático e socialmente comprometido.
“Defender a educação pública é defender a democracia. É nesses espaços que se constrói consciência crítica, memória e compromisso social”, pontuou.
O debate reuniu representantes de entidades sindicais, estudantis, acadêmicas e de movimentos sociais do Brasil e da América Latina, consolidando um espaço plural de reflexão sobre os desafios contemporâneos enfrentados pela educação pública, pela ciência e pela democracia.
O presidente da ADUFRGS-Sindical, Jairo Bolter, ressaltou a necessidade de uma defesa firme da soberania das universidades públicas e da liberdade acadêmica, destacando o papel das instituições de ensino superior nos debates públicos e na formação crítica da sociedade.
Já o dirigente sindical argentino e deputado Hugo Yasky apresentou uma análise sobre o cenário internacional e os desafios políticos vividos pelos povos latino-americanos.
“Se constituímos maioria, é preciso que o povo também atue para que não sejamos transformados em minoria de direitos”, afirmou.
Yasky também enfatizou a necessidade de fortalecer a luta popular em defesa da liberdade, da democracia e da justiça social no continente. Ao final de sua intervenção, a delegação argentina entoou palavras de ordem em defesa da educação, com o coro “pelea por la educación” (“luta pela educação”).
A representante da Federação Colombiana de Professores e ex-senadora Gloria Ramírez alertou que o avanço da extrema direita deve ser compreendido dentro de um contexto estrutural de ataques a setores estratégicos da sociedade.
“Em momentos de crise, esses setores atacam justamente aqueles que têm potencial de transformar a sociedade, como a educação”, destacou.
A presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, reafirmou a centralidade da educação e da ciência na construção da soberania dos povos.
“Não existe soberania sem educação e sem ciência, assim como não existe soberania sob intervenção imperialista”, afirmou.
Ela também chamou atenção para a necessidade de superar visões utilitaristas da educação, defendendo-a como espaço de emancipação, formação crítica e transformação social.
A reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, destacou a importância da formação ampla da sociedade para enfrentar os desafios contemporâneos, inclusive no campo da tecnologia e da comunicação. Em sua fala, alertou para a necessidade de combater o discurso de ódio e ocupar os espaços digitais como parte da disputa democrática em curso.
A presidenta do CPERS, Rosane Zan, reforçou que a defesa da educação, da ciência e da tecnologia públicas é fundamental para a construção de um projeto de país baseado na justiça social, na inclusão e no protagonismo popular.
“Garantir que essas áreas sejam inclusivas e socialmente referenciadas é afirmar um caminho de desenvolvimento baseado na democracia e no protagonismo dos povos sobre seu próprio destino”, declarou.
Também participaram da mesa o presidente do ANDES-SN, Claudio Mendonça, e o coordenador-geral da Fasubra Sindical, Sandro Pimentel.
A mesa integrou a programação da 1ª Conferência Internacional Antifascista, evento que reuniu organizações, entidades sindicais, movimentos sociais e representantes de diversos países em torno da defesa da democracia, dos direitos sociais, da educação pública e da soberania dos povos.
Ao longo da programação, foram realizadas mesas de debate, plenárias e atividades autogestionadas, fortalecendo a articulação política e a construção de agendas comuns entre os participantes. A conferência também buscou ampliar a cooperação internacional e consolidar estratégias coletivas de resistência diante dos desafios enfrentados pela classe trabalhadora e pela educação pública.
Ao final da atividade, foi realizada a leitura da Carta de Porto Alegre, documento que reafirma a unidade internacional na luta contra o fascismo, a extrema direita e o imperialismo, bem como a defesa da democracia, dos direitos sociais e da soberania dos povos.
Fonte: CNTE | Editado por: SIMTED Aquidauana
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